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FT: Arsenal é censurado por anúncios “irresponsáveis” de criptotokens a torcedores

Reguladores do Reino Unido tentam controlar o marketing de criptomoedas

A agência de autorregulação do setor de publicidade do Reino Unido repreendeu o clube de futebol Arsenal por promover “tokens de torcedores”, na sua tentativa mais recente de estabelecer controles para o marketing de criptomoedas e produtos relacionados.

A Advertising Standards Authority (ASA) informou nesta quarta-feira que investigou dois anúncios do Arsenal veiculados na internet em agosto e concluiu que eles eram “irresponsáveis” e violavam as regras de marketing do Reino Unido.

A decisão contra o Arsenal segue uma série de medidas semelhantes anunciadas na semana passada e foi tomada em um momento em que um número cada vez maior de empresas de serviços de criptomoedas e de tokens têm aumentado a publicidade dirigida os fãs de esportes.

A ASA contou ao “Financial Times” na semana passada que a ampliação de suas regras para as criptomoedas de modo a incluir criptoativos em geral, como os tokens de fãs, estaria no topo de sua agenda para o ano que vem.

Arsenal FC — Foto: Nelson Ndongala/Unsplash
1 de 1 Arsenal FC — Foto: Nelson Ndongala/Unsplash

Arsenal FC — Foto: Nelson Ndongala/Unsplash

No verão, o Arsenal fez uma campanha em seu site e no Facebook para promover seu token de torcedor sob o símbolo $AFC, de acordo com a ASA. Os torcedores interessado em comprar os tokens, que permitem aos titulares opinar sobre as decisões oficiais do clube, precisam primeiro comprar uma moeda digital chamada Chiliz, por meio da plataforma de criptomoedas Socios. Quanto mais tokens um torcedor possuir, mais peso terão seus votos.

O anúncio no site do Arsenal incluía algumas ressalvas, como um aviso de que o preço dos tokens “dependia da oferta e da demanda e, portanto, pode subir ou cair”. Também indicava que os detentores dos tokens “devem estar cientes de que podem perder parte ou a totalidade do dinheiro que investiram”. O anúncio do Facebook, que foi postado mais tarde, não trazia essas advertências.

A ASA concluiu que os anúncios “banalizavam o investimento em criptoativos” e eram “enganosos”, por não destacar o risco do investimento.

O Arsenal informou ao “Financial Times” que pretendia pedir uma análise independente das decisões da agência reguladora “para buscar mais clareza sobre a posição atual da ASA”.

O clube acrescentou que leva muito a sério suas “responsabilidades em relação ao marketing para nossos torcedores”. Argumentou também, em uma resposta à ASA, que os produtos eram “tokens utilitários, usados para encorajar a participação dos torcedores e, portanto, eram substancialmente diferentes de criptomoedas”.

Embora os tokens não fossem anunciados como produtos financeiros, a ASA sustenta que o Arsenal deveria ter indicado que os criptoativos não são regulamentados no Reino Unido, já que isso significa que esses produtos não têm as proteções ao consumidor que muitos veículos financeiros regulamentados têm.

A Socios contou que já criou tokens de torcedor para mais de 40 clubes de futebol, como o Paris Saint-Germain e o Manchester City. Ela tem mais de 1,3 milhão de usuários em 167 países.

A plataforma permite que entusiastas e operadores de criptomoedas especulem e negociem tokens de torcedor. A criptomoeda Chiliz é sua principal unidade de câmbio, mas ela também pode ser negociada nas principais bolsas de criptomoedas, como a Coinbase e a Binance.

Enquanto as receitas dos clubes de futebol caíram com a pandemia, a popularidade dos tokens para torcedores cresceu muito. Sua capitalização total de mercado equivale a US$ 225 milhões, de acordo com o agregador de dados CoinGecko.

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