‘Jewellerygate’: escândalo das joias de Bolsonaro repercute na imprensa internacional

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A revelação de um esquema suspeito de comercialização ilegal de joias e outros produtos de luxo recebidos pelo Brasil como presentes oficiais durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro ganhou destaque no cenário internacional, com diversos jornais e sites estrangeiros cobrindo o assunto.

Na semana passada, a Polícia Federal indiciou o ex-presidente por lavagem de dinheiro e outros crimes em uma investigação relacionada ao desvio de joias que teriam sido presenteadas pela Arábia Saudita. Esse assunto tem sido amplamente abordado pela imprensa internacional desde então. Em uma manchete, o jornal suíço Le Temps detalha em sua edição desta quinta-feira que "Jair Bolsonaro está sob acusação de tentativa de subtração de US$ 1,2 milhão em joias".

De acordo com informações reveladas pela investigação no dia 8 de segunda-feira, o jornal descreve como o antigo líder do governo teria se aproveitado de um esquema para comercializar joias e produtos de luxo ilegalmente. "Algumas mercadorias foram vendidas e os lucros obtidos foram transformados em dinheiro, sendo incorporados ao patrimônio pessoal do ex-presidente sem passar pelos procedimentos bancários convencionais", explicou o periódico.

A primeira vez que o caso veio a público foi em março de 2023, através do jornal O Estado de S.Paulo. As preciosidades estavam guardadas em uma mochila da equipe do ministro de Minas e Energia, que retornava de uma viagem oficial ao Oriente Médio. Funcionários do governo realizaram diversas ações para liberar as joias, a última delas apenas alguns dias antes do término do mandato de Bolsonaro. Mais tarde, foi descoberto que havia outros dois conjuntos de joias que não constavam no inventário oficial após a saída de Bolsonaro do cargo, mesmo que esse tipo de presente seja considerado patrimônio público pelo Tribunal de Contas da União.

O jornal francês Le Monde noticiou o escândalo e trouxe informações detalhadas sobre os itens envolvidos no caso. "Os presentes consistiam em um anel, um colar e brincos da renomada marca suíça Chopard no valor aproximado de US$ 828.000, além de relógios de ouro e diamante Chopard e Rolex, junto com outras joias", relatou o periódico, citando as informações divulgadas pelas autoridades brasileiras.

O jornal francês Libération acompanha o caso desde a semana passada e relata que, em países democráticos, os presentes dados aos líderes estrangeiros por convidados estrangeiros são considerados parte do patrimônio nacional, e não presentes pessoais. No entanto, segundo o diário, Jair Bolsonaro e sua equipe tentaram contornar essa regra.

De acordo com o jornal, na França, esses objetos são armazenados na Réserve Alma, um depósito especial de móveis perto das margens do Sena, no 7º distrito de Paris, cujo endereço é mantido em sigilo. Durante a Jornada do Patrimônio, apenas alguns itens são colocados em exposição, conforme relatado pelo Libération.

O jornal português Público destaca que Bolsonaro foi oficialmente considerado suspeito de um crime pela segunda vez em poucos meses. Em março, a Polícia Federal o indiciou por alegada falsificação de certificados de vacinação contra a Covid-19. Além disso, o ex-presidente está sendo investigado por seu possível envolvimento em uma tentativa de golpe após sua derrota nas eleições de 2022, como também mencionado pelo jornal português.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o líder sul-americano populista e simpatizante de Donald Trump ainda não se pronunciou sobre as recentes acusações feitas contra ele, mas já havia negado qualquer conduta irregular durante seu mandato presidencial. O periódico também deu o apelido de "Jóiasgate" ao caso.

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