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Documentário 'Toninho 20 anos: a verdade é demais para nós?' é lançado no Globoplay

O documentário “Toninho 20 anos: a verdade é demais para nós?”, que reconta o assassinato do ex-prefeito de Campinas Antonio da Costa Santos a partir de entrevistas inéditas, arquivos da época e documentos sob sigilo, foi lançado nesta sexta-feira (5) na plataforma de streaming globoplay.

Produzido pela equipe do g1 Campinas, o documentário foi publicado pelo portal de notícias em 10 de setembro de 2021, data em que o crime completou 20 anos e prescreveu sem que a autoria fosse identificada.

Agora, o trabalho jornalístico também pode ser assistido gratuitamente na plataforma de streaming. Para isso, basta acessar o globoplay e fazer login.

20 anos sem respostas

O assassinato do ex-prefeito de Campinas completou 20 anos sem que o estado tenha chegado a respostas sobre autoria e motivação. Ao atingir a marca, o crime prescreveu, o que significa que o autor, ainda que seja identificado, não poderá ser punido.

Diante da relevância da data, o g1 lançou o documentário de 45 minutos que resgata memórias da história do arquiteto e da noite do crime, além de trazer à tona documentos que contradizem versões oficiais e revelam a falta de estrutura da polícia para investigações.

Uma decisão judicial construída com trechos de clássicos da literatura nacional e internacional serviu como guia para a criação do documentário.

documentário do G1 caso Toninho — Foto: Guilherme Gomes/G1

No texto de 100 páginas – narrado no documentário pelo próprio juiz do caso -, o magistrado empresta palavras de Shakespeare, Drummond, Guimarães Rosa e outros autores para elaborar e antecipar um veredicto que perduraria por 20 anos: a falta de respostas contundentes do Estado brasileiro sobre a autoria do assassinato do político do PT.

O assassinato de Toninho foi um dos primeiros crimes contra um chefe do Executivo a ganhar repercussão nacional na democracia brasileira. Para testemunhas da vida política do petista, o crime tem relação direta com a atuação dele na esfera pública.

Toninho foi assassinado com um tiro na aorta enquanto fazia sozinho o trajeto de um shopping da cidade até a casa dele. O então prefeito estava sozinho em seu veículo particular, um carro popular que fazia questão de usar fora do horário do expediente porque defendia que veículos oficiais só fossem usados em compromissos públicos.

Toninho morreu no local do crime poucos minutos depois de deixar uma mensagem amorosa na caixa postal da filha, Marina. A mensagem, obtida com exclusividade pela EPTV, é um dos momentos emocionantes do documentário.

Antônio da Costa Santos foi morto em 10 de setembro de 2001, dez dias após completar 8 meses à frente da Prefeitura de Campinas — Foto: Reprodução/Quem Matou Toninho

A partir daquela noite de 10 de setembro, a notícia tomaria todos os jornais e telejornais brasileiros. Tudo indicava que a história figuraria em destaque no noticiário nacional por dias, talvez meses. Mas o imponderável aconteceu. No dia seguinte ao crime, o mundo amanhecia perplexo ao assistir o desmontar das torres gêmeas durante o ataque terrorista em Nova Iorque. E a atenção dada ao assassinato do prefeito passaria a segundo plano.

Para amigos e familiares, a perda de notoriedade do caso contribuiu em certa medida com o desfecho do crime que, em 2021, prescreveu sem que se descobrisse a autoria e com um pedido do Ministério Público para arquivamento.

A Polícia Civil e o Ministério Público chegaram a denunciar, à época do crime, o sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, em uma versão que nunca foi aceita pela Justiça por falta de provas.

A Polícia Civil chegou a sustentar que Toninho havia sido morto por “atrapalhar” o trânsito de membros da quadrilha de Andinho que estariam em fuga pela avenida. Já o MP aponta que a motivação do crime nunca foi descoberta.

Para a família, trata-se de um crime político e, diante da falta de conclusão, a esposa e a filha, que durante todo o tempo cobraram sem sucesso a entrada da Polícia Federal nas investigações, agora acionaram a Organização dos Estados Americanos (OEA) para pedir a condenação do estado brasileiro por omissão nas investigações do assassinato do político.

Em 2020, Toninho ganhou um neto e o documentário mostra como esposa e filha do político têm tentado contornar a dor e a mágoa pela falta de respostas para contar ao pequeno o legado do avô para a história da cidade e do país.

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