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Com votos de Feliz Natal, Bolsonaro sabota a vacinação infantil

Daqui a um ano poderá ser um novo dia, de um novo tempo que começou. É só querer

O tal do Marcelo Queiroga superou em matéria de servilismo como ministro da Saúde o general Eduardo Pazuello, que depois de anunciar a compra de vacinas recuou sob pressão de Bolsonaro e cunhou a frase que para sempre marcará sua passagem pelo governo: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

A Pazuello, faltaram vergonha e coragem para pedir demissão. Ordens absurdas não se cumpre, ensinou o Tribunal de Nuremberg depois da Segunda Guerra Mundial ao condenar militares nazistas que invocaram a obediência devida a Hitler para justificar os crimes que cometeram contra a Humanidade.

Queiroga, médico cardiologista, segue a mesma linha do general. Já disse não ver motivo para ansiedade ou angústia por não ter decidido até agora respeitar a orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que recomendou a vacinação contra a Covid de crianças de 5 a 11 anos. Não parou por aí.

Afirmou que o número de mortes de crianças vítimas do vírus está em um patamar baixo. Aceitou a cobrança feita por Bolsonaro para que se revelasse o nome dos técnicos que defendem a vacinação pediátrica. E abriu o que chamou de “consulta pública”, recurso que lhe permitirá ouvir os que são contra a vacina.

Como se sabe, no Palácio do Planalto existe o Gabinete do Ódio, um bando de moleques comandados pelo vereador Carlos Bolsonaro que dissemina notícias falsas em defesa do governo. Como comprovado, no Ministério da Saúde funciona o Gabinete da Morte, liderado pelo vassalo ministro de ocasião e a sua turma.

A tarefa de sabotagem à vacinação das crianças avançou, ontem, mais duas casas quando Queiroga, autorizado por Bolsonaro que antecipou suas férias de fim de ano para dançar funk no litoral de São Paulo, anunciou mais duas medidas: criança só será vacinada com autorização dos pais e mediante prescrição de um médico.

A primeira medida seria dispensável. Criança não vai a posto de saúde vacinar-se sem o aval dos pais. São os pais ou os responsáveis por ela que a levam. A não ser que por autorização entenda-se a apresentação de algum documento assinado pelos pais onde eles digam que estão de acordo com a vacinação.

Se essa exigência vier a ser feita também seria perfeitamente dispensável. Pais não levam filhos para vacinar se não estiverem de acordo. Ao condicionar a vacinação à prescrição médica, o governo prejudica as famílias pobres com pouco ou nenhum acesso à assistência médica. Em suma: é um desestímulo à vacinação.

Nunca antes na história do país abriu-se uma consulta pública para legitimar parecer de técnicos da área da Saúde, nunca. No caso, não se trata de liberdade de opinião. (Curioso que Bolsonaro abomine opiniões que contrariem as suas.) Trata-se de respeitar o que está escrito no artigo 196 da Constituição

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A vacinação infantil começou nos Estados Unidos e em parte da Europa. Na América Latina, o Equador foi o primeiro país a vacinar os seus pequenos. Aqui, desde o início da pandemia em março do ano passado, mais de 300 crianças morreram em decorrência da Covid. Somente este ano, 3.185 contraíram o vírus.

Elas não estão sujeitas só à morte e ao mal. Elas são potenciais transmissores do vírus para os adultos. Neste momento, em 17 estados, uma pandemia de gripe, misturada com casos provocados pelo Ômicron, a nova cepa da Covid, começa a lotar hospitais e postos médicos. O carnaval foi cancelado na Bahia.

O que Bolsonaro, candidato à reeleição, e Queiroga, aspirante a deputado federal, pensam em ganhar ao deixar morrer as crianças que tiverem de morrer? Em sua live semanal das quintas-feiras no Facebook, Bolsonaro celebrou com entusiasmo a isenção de imposto para a compra de jet ski e barco a vela. Que tal?

Ainda não será desta vez. Daqui a um ano poderá ser um novo dia, de um novo tempo que começou. Nos novos dias, as alegrias serão de todos. É só querer. Feliz Natal!

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