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Sabia que o nascimento de Jesus possui incoerências nos evangelhos de Lucas e Mateus?

É comum no Natal vermos filmes e desenhos representando a época da natividade de Cristo, mas nem o apóstolo Lucas, nem o apóstolo Mateus entraram em acordo sobre alguns aspectos dessa história da Bíblia

É comum no Natal vermos filmes e desenhos representando a época da natividade de Cristo, mas nem o apóstolo Lucas, nem o apóstolo Mateus entraram em acordo sobre alguns aspectos dessa história da Bíblia

Sabia que o nascimento de Jesus possui incoerências nos evangelhos de Lucas e Mateus?
(Foto: Pixabay)

 

Para os cristãos, o Natal representa o nascimento de Jesus Cristo. Mas, curiosamente, os evangelhos de Lucas e Mateus não dão o mesmo relato dessa passagem tão importante da Bíblia.

Seus respectivos relatos concordam que Jesus nasceu em Belém, na Judeia, cerca de 10 km ao sul de Jerusalém. Ambos concordam que Maria, mãe de Jesus, estava noiva de um homem chamado José, um descendente do rei Davi.

José era o pai legal de Jesus, mas não o biológico, já que seu filho nasceu por intervenção divina.

Depois disso, no entanto, os relatos de Lucas e Mateus passam a ser bem diferentes.

A professora britânica Helen Catherine Bond, autora do livro Caiaphas: Friend of Rome or Judge of Jesus? (Caifás: Amigo de Roma ou Juiz de Jesus?) Investigou a história da natividade para o documentário Mystery Files: Birth of Christ (Arquivos Misteriosos: Nascimento de Cristo), do canal americano Smithsonian Channel, exibido em 2013.

“Tanto Mateus quanto Lucas falam sobre a concepção virginal de Maria, mas a maneira como eles a descrevem é bem diferente. Lucas cita o anjo Gabriel aparecendo para Maria, e a história é do ponto de vista da mãe de Jesus”, afirma Bond no documentário, citado pelo tabloide britânico Daily Express.

Em Lucas 1:30, está escrito: “O anjo disse-lhe: ‘Não temas, Maria, porque achaste graça diante de Deus. E agora você vai conceber em seu ventre e ter um filho, e você vai chamá-lo de Jesus’”.

Maria questionou como isso poderia acontecer, já que ela era virgem. O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; portanto, a criança que vai nascer será santa; ele será chamado Filho de Deus”.

A professora explica que a história de Mateus é bem diferente. “No que diz respeito a Mateus, só ouvimos que Maria repentinamente ficou grávida, e então o foco está na reação de José. Ele se torna indignado com isso e se pergunta se deve silenciar Maria. Mas, é claro, ele tem o sonho de ficar com Maria e criar o menino como se fosse seu”, diz a escritora, segundo o tabloide.

Outra parte importante da narrativa do Natal é a jornada de Maria e José de Nazaré a Belém, mas, novamente, isso só é encontrado em um evangelho.

“Lucas fala sobre um censo que foi ordenado por Augusto e realizado pelo Legado da Síria, que se chamava Quirinio [Públio Sulpício Quirino]. E sabemos que esse censo foi histórico e feito na época em que a Judeia se tornou uma província romana”, comenta Helen Bond no documentário do Smithsonian Channel.

Lucas descreve como José foi da cidade de Nazaré, na Galileia, para Belém – a cidade de Davi, especialmente porque ele era descendente do célebre rei judeu.

Mateus não cita nenhuma viagem, mas concorda que Jesus nasceu em Belém.

A história da chegada da família a Belém é detalhada em Lucas. Em seu evangelho, ele diz que o menino Jesus foi colocado numa manjedoura, pois “não havia lugar para eles na pousada”.

Mas Lucas não faz menção a estábulo, como é retratado na maioria dos contos sobre a natividade. Já Mateus não cita onde ou como aconteceu o nascimento de Cristo.

A versão dos eventos de Mateus e Lucas difere mesmo após o parto. Enquanto Lucas fala sobre a visita de pastores locais depois que um “anjo do Senhor” lhes deu a notícia, Mateus fala dos “reis magos’ oferecendo ouro, incenso e mirra.

Ainda, Helen Bond, citada pelo Daily Express, salienta que a similaridade das histórias é menos importante do que o significado por trás delas.

“Não acho que seja necessário que os cristãos acreditem em todos os detalhes da história do presépio. Não acho que você precisa acreditar que todos esses detalhes são históricos. A teologia dessas histórias que é importante, e isso é realmente o que esses autores antigos estão tentando transmitir”.

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