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Observatório James Webb tem decolagem bem-sucedida, inaugurando nova era de exploração espacial

Telescópio da Nasa, o mais caro e poderoso já produzido, foi lançado pela manhã de Kourou, na Guiana Francesa

KOUROU, Guiana Francesa — O Telescópio Espacial James Webb, o maior, mais poderoso e mais caro já produzido, decolou com sucesso na manhã deste sábado da base aérea de Kourou, na Guiana Francesa. A previsão é que o novo observatório, considerado o sucessor do Telescópio Espacial Hubble, chegue em duas semanas ao local onde ficará orbitando o Sol, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

Conheça: Maior e mais caro telescópio espacial, Observatório James Webb decolará depois de 25 anos e tentará enxergar primeiras galáxias do universo

O telescópio, que levou 25 anos da concepção ao lançamento e custou cerca de US$ 10 bilhões às agências espaciais americana (Nasa), europeia (ESA) e canadense, decolou em um foguete Ariane 5 às 9h20, horário do Brasil, da base de lançamento da ESA na Guiana Francesa. Os astrônomos esperam utilizá-lo como instrumento para ver as primeiras galáxias formadas no universo e responder a questões importantes da cosmologia.

— De uma floresta tropical para a borda do próprio tempo, o James Webb começa uma viagem de retorno ao nascimento do universo — disse Rob Navias, comentarista da Nasa, enquanto narrava a decolagem.

O Telescópio Espacial James Webb decolou com sucesso rumo ao espaço da base aérea de Kourou, na Guiana Francesa. Astrônomos esperam utilizá-lo como instrumento para ver as primeiras galáxias formadas no universo. O projeto levou 25 anos da concepção ao lançamento e custou cerca de US$ 10 bilhões às agências espaciais americana (Nasa) e europeia (ESA). Ele é considerado o sucessor do Hubble.
O Telescópio Espacial James Webb decolou com sucesso rumo ao espaço da base aérea de Kourou, na Guiana Francesa. Astrônomos esperam utilizá-lo como instrumento para ver as primeiras galáxias formadas no universo. O projeto levou 25 anos da concepção ao lançamento e custou cerca de US$ 10 bilhões às agências espaciais americana (Nasa) e europeia (ESA). Ele é considerado o sucessor do Hubble.

O James Webb, batizado em homenagem ao gerente da Nasa durante os anos das missões Apolo, se separou com sucesso do veículo de lançamento cerca de 27 minutos após a decolagem. Os painéis solares também foram desdobrados com sucesso e estão funcionando conforme o esperado.

A expectativa é que a operação do telescópio, que será coordenada de um centro em Baltimore, no estado americano de Maryland, comece em meados de 2022, após cerca de um semestre calibrando e alinhando seus espelhos e instrumentos.

— Eu estou muito feliz hoje — disse Josef Aschbacher, diretor da ESA, antes de fazer uma ponderação. — É muito estressante, eu não poderia fazer lançamentos assim todos os dias. Não seria bom para a minha expectativa de vida.

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Como um origami

O projeto foi um desafio de engenharia do começo ao fim, porque mesmo o francês Ariane 5, o maior foguete disponível para lançar o telescópio, não era capaz de acomodá-lo. A solução foi criar um observatório que se dobra como um origami dentro de um envelope e depois se desdobra. O sistema que opera esse processo é extremamente complexo, com 344 diversos mecanismos envolvendo chips eletrônicos, motores, cabos, roldanas e dobradiças.

As agências acreditam que deva levar cerca de 29 dias para que o James Webb chegue à sua forma final, com a extensão de uma quadra de tênis e cerca de 6,5 toneladas. As únicas partes a serem desdobradas automaticamente foram os painéis solares e a antena. Todo o resto será controlado pela missão na Terra, que decidirá o momento de seguir em frente a depender de como o processo prossegue.

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A previsão é que três dias após o lançamento, os engenheiros ativem dois braços mecânicos nos lados do observatório para dar sustentação a um escudo solar de 21 metros de altura por 14 metros de comprimento. A estrutura delicada com cinco camadas de um plástico fino e prateado tem por fim proteger os instrumentos científicos do James Webb da luz solar.

O escudo deve começar a ser desdobrado dois dias depois, levado cerca de 48 horas para chegar à sua formação final. Há várias etapas consecutivas, mas a principal delas deve ocorrer entre 10 e 14 dias: o espelho coletor de luz será desempacotado, formando a icônica estrutura que lembra uma colmeia. Ela será composta por 18 partes hexagonais e terá 6,5 metros, o triplo do tamanho e sete vezes a sensibilidade do Hubble.

A partir dele, astrônomos esperam conseguir ver as primeiras galáxias formadas no universo e responder a questões importantes da cosmologia. O James Webb observará o universo principalmente no espectro infravermelho, conseguindo ver além das nuvens de gás e poeira onde nascem as estrelas. O Hubble funcionava principalmente nas frequências ultravioleta e próxima da luz visível.

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Altas expectativas

Com tudo pronto, os cientistas já têm alguns pontos no céu para onde querem apontar o telescópio. Um deles, um dos mais aguardados, é uma região conhecida como Campo Ultraprofundo de Hubble, porque foi fotografada pelo telescópio antecessor do James Webb. Nessa zona escura, é possível tentar enxergar muito longe no cosmo, o que significa que os astrônomos podem olhar também para o passado. Agora, cientistas esperam que ela possa ser vista com maior claridade.

Como o cosmo tem 13,8 bilhões de anos de idade, ao olhar para as maiores distâncias os cientistas esperam ver galáxias que se formaram quando o universo tinha apenas 100 milhões de anos, algo essencial para entender sua evolução. Astrofísicos acreditam que as primeiras estrelas a existirem, compostas só de hidrogênio e hélio, eram muito diferentes do Sol e outras estrelas atuais, e os cientistas esperam captar também algo da luz desses astros, hoje extintos.

Um dos alvos é a estrela Trappist-1, na constelação do Aquário, com sete planetas ao seu redor, um sistema visto como candidato a abrigar vida. A ideia é analisar a atmosfera de alguns desses astros e entender sua real condição de habitabilidade.

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